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A apresentação do livro «O pequeno caminho das grandes perguntas» com o autor, o padre José Tolentino Mendonça, que rejeita propostas pastorais transformadas em «conversa de surdos ou um clube para iniciados».
O livro “O pequeno caminho das grandes perguntas” do padre e poeta José Tolentino Mendonça é um “elogio ao papel das perguntas” na vida de cada pessoa, cujo “coração é um motor de busca”.
“O homem é um buscador. Ontologicamente somos seres à procura. Há uma curiosidade enorme. O nosso coração é um motor de busca”, disse o autor madeirense em entrevista à Agência ECCLESIA.
“Demasiadas vezes estamos focados em obter repostas e isso faz-nos passar por cima das perguntas, não damos o tempo necessário para que elas se façam ouvir”, considera o vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
“Esse é que é o perigo: demitirmo-nos das procuras fundamentais ficarmos com as pequenas procuras, onde o google nos pode levar e não aquelas onde o nosso coração nos pode conduzir”, sublinhou.
Para o padre José Tolentino Mendonça, o “exercício fundamental é reforçar o humano”.
“O que nos define, o que é a origem da nossa felicidade, o que nos salva são perguntas, é o habitar de uma pergunta que não deixa de morder, roer, iluminar o nosso coração”, afirmou.
Numa entrevista sobres os ensaios publicados no livro “O pequeno caminho das grandes perguntas”, publicado pela Quetzal, o padre Tolentino Mendonça referiu também que as perguntas do quotidiano – “como estás?”, “tudo bem?” – de cada pessoa são apenas um “formalismo da ritualidade de um encontro”.
“Se parássemos e tivéssemos a coragem de dar a resposta verdadeira, se assumíssemos como uma pergunta e não como um protocolo de convivência rápida, a qualidade geral da nossa vida ampliava-se”, afirmou.
“A maior parte dos nossos encontros são um puro esbarrar, passar numa tangencial e não um verdadeiro encontro, não uma epifania, uma revelação do que o outro é ou um aprofundamento da relação que potencia o caminho que vamos fazer”, acrescentou o autor.
O padre José Tolentino Mendonça referiu-se ainda ao papel da religião, afirmando que “tem de sair do seu espaço tradicional”, falar uma gramática, um código “que seja legível por todos” e abandonar a “lógica de barricada”, da “trincheira”.
“O medo é que a nossa proposta pastoral se torne, na sociedade contemporânea, numa conversa de surdos ou um clube para iniciados”, considerou o vice-reitor da UCP.
“O que dizemos em chave pastoral não é compreensível por grande da população de hoje”, considerou.
Para o sacerdote madeirense, o padre “não é aquele que dá respostas”, mas um “mistagogo”, que ajuda no iniciar de um caminho de “aproximação ao mistério”, acrescentou.
O padre José Tolentino Mendonça referiu-se também à oração, um “lugar de mãos vazias”, de perguntas, e disse que, no “caminho autêntico da fé, as respostas não são importante, o importante é habitar a pergunta”.
“É preciso passar do Deus necessário, do Deus que me é útil, que me dá jeito acreditar, do Deus que me convém porque me safa dos meus problemas, para um Deus desejável”, sublinhou.
Na entrevista, emitida no programa 70×7 deste domingo, o padre e poeta madeirense sugeriu também que se abandonem respostas rápidas, “soluções de manga que a sociedade oferece nos vários domínios”.
“Mais não são do que perpetuação de um equívoco”, concluiu.
A versão integral da entrevista ao padre José Tolentino Mendonça pode ser vista no canal do youtube da Agência ECCLESIA.
G.I./Ecclesia:PR

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